Por Pão de queijo com café

Amigos,

Por algum motivo obscuro o Pedro me convidou para escrever alguma coisa no blog. Afinal de contas, como todos já notaram, eu sou apenas uma cestinha de pães de queijo, que fica por aí resmungando vai não vai…

Mas vamos lá, já que é assim vou aborrecer vocês com os meus pães de queijo.

Falar, um ano atrás, de 2015, foi até fácil. Pra quem segue de perto o blog, e acompanha o bate papo aqui nosso, principalmente lendo com atenção os comentaristas mais do ramo dessa interconexão política / economia (tipo Quiumento e CA) ou os comentaristas que seguem mais de perto o dia a dia das operações comerciais nas cidades (tipo Rosinha e outros), não era difícil prever que o caldo ia entornar com força.

Agora peraí, não estou desmerecendo ninguém, todos estão contribuindo. O que eu digo é que – por exemplo – o Sr. Sicrano, profissional da área de sáude, pode contribuir sim com o papo, porém pela sua rotina de vida e conhecimento acumulado não terá como fazer um texto a la CA. Já num blog sobre saúde se dará o contrário. Espero ter sido claro.

Voltando.

Outro dia um primo me disse ao telefone: “ca*&@$#%$%¨¨%&, primo PdQ, é a terceira vez que você me avisa sobre alguma coisa e depois sai no jornal !!! Como você faz isso ???”

Eu disse pra ele: “Prezado primo PdQ, não é que eu seja rápido, é que a imprensa em geral se tornou lenta. Quando não covarde ou omissa. Isso sem falar nas relações perigosas deles com os anunciantes e os governos de plantão. Troca de favores e de grana também.”

É claro que não estou dizendo que as pessoas não devam seguir a imprensa. Eu estou dizendo é que ela deve ser lida com cautela, e as suas falas contrapostas com outras visões. Colhidas entre amigos e na Internet.

Dá trabalho? Talvez, mas se você quer ter uma certeza melhor de algum fato ou processo, é assim que (hoje) precisa ser. No other way, man.

Então, exatamente um ano atrás, no final de janeiro, eu fiz aquela listinha sobre 2015, republicada já algumas vezes. Com a qual eu acertei bastante, cerca de 70% das informações, tirando é claro as piadinhas, porque afinal de contas o assunto já é árido, nossa situação é meio depressiva, então se não tiver piada ninguém sobrevive aqui nessa praia.

Como eu disse, eu errei feio na coisa da água e da energia.

Na água, passamos raspando em MG e RJ. SP a situação era grave mas nem tanto, Lucas tava certo sim. Tavam baixos os reservatórios, mas é uma área mais ao sul de MG, a qual tem sofrido menos com essa falta de chuvas dos últimos 5 anos.

E quanto à energia? Também errei. Teve a queda brutal do consumo, talvez nós não precificamos isso aqui. E os caras do ONS devem ter ralado viu, mandando energia pra lá e pra cá, vendendo janta pra comprar almoço, e no final a coisa aguentou.

Sobre economia e política eu consegui um bom acerto. Sem detalhar, foi sangue jorrando e a Lava-Jato tocando o terror na petezada.

Agora, e 2016?

Em um primeiro momento pensei que a situação ficou tão bagunçada que seria impossível prever qualquer coisa. Por isso demorei a escrever este texto… mas aí pensei pra cá, pensei pra lá…

Daí encontrei o meu amigo Broa de milho, que me disse: PdQ, 2016 é o seguinte: temos duas incertezas e uma quase certeza.

O cara estava certo. E este será meu ponto de partida.

Incerteza 1: a Tia renunciar, ser cassada, impedida, casar com o Fidel, ir morar na Coréia do Norte, ou quem sabe fazer igual ao criador da empresa de petróleo que ela acabou quebrando.

Acho que não acontece, infelizmente. Se acontecer, tanto melhor!!!

Incerteza 2: a Tia fazer o que precisa ser feito, ao menos em linhas gerais, ao menos parcialmente, e começar assim a rearrumar o país.

Esqueçam, mais provável até o “1” do que este “2”.

E qual a “quase-certeza”? Por exclusão, é ela continuar no comando, fazendo as suas burradas.

E aqui eu adiciono dois fatores a mais. São as incertezas “dentro” do cenário de certeza. Confuso? Rs…

Primeiro, algo tão recente que eu não consigo avaliar: a questão do Aedes, com a zica, a chikun-sei-lá-o-que e aquele tanto de doença, sendo a dengue a menos séria… se isso interferir pesado na Rio-16, o que começo a pressentir, minha análise precisaria ser refeita. Pois o impacto psicológico, político e social vai ser muito grande.

É um processo que talvez forcasse a Incerteza 1 e o fim do regime.

E segundo, o famoso “dobrar a aposta com força”. O que a Anta no fundo gostaria de fazer, mas não consegue, por falta de apoio e conhecimento. Seria algo na linha congelamento de preços, câmbio controlado, injeção descontrolada de dimdim no sistema etc.

Também é um processo que certamente nos levaria da certeza para a Incerteza 1, com o fim do regime.

Fora isso, o que eu vejo pra 2016 é um afundamento lento e constante. Nesse cenário, o provável descontrole vai sendo empurrado com a barriga, ficando para 2017.

Assim sendo, ressalvadas as incertezas 1 e 2, as quais certamente seriam benéficas e tornariam a lista abaixo menos negativa pra todos nós, e ressalvadas as incertezas “internas” à certeza, eu vejo o seguinte aí pra frente:

FEVEREIRO
– Governo pressiona COPOM pela redução da SELIC;
– Inflação segue firme rumando para 8%;
– Mais montadoras paralisam produção.

MARÇO
– SELIC reduzida em meio ponto;
– Dólar = 4,50 reais (o oficial);
– Epidemias ligadas ao Aedes avançam no país;
– 5 importantes delegações estrangeiras cancelam participação na Rio-16;
– 1 milhão de pessoas já perderam o emprego em 2016;
– Leilões de imóveis em segunda praça fracassam em todo o país;

ABRIL
– Inflação de 2016 com prévia de 9%; inflação de 2017 prevista a 6,5%, já no teto da meta;
– Devolução de ingressos para a Rio-16 é recorde;
– Governo tenta retorno da CPMF e perde no Congresso; dólar = 5,50 reais (cotação oficial);
– Rumores de mudança na equipe econômica;
– Eduardo Cunha renuncia; Jarbas Vasconcelos é o novo presidente da Câmara;
– Renan Calheiros renuncia à presidência do Senado;
– José Sarney é ouvido em Curitiba por Sérgio Moro;
– PIB previsto de 2016: -4%;

MAIO
– Mais delegações cancelam participação na Rio-16;
– Lula é ouvido por Sérgio Moro;
– Em improviso, Governo eleva CIDE para substituir a CPMF;
– Eduardo Cunha, Renan Calheiros e Fernando Collor são presos pela Lava-jato na etapa denominada “Operação Côncavo e Convexo”;
– Ataque especulativo ao real reduz reservas internacionais pela metade;
– Imóveis tem queda de preço de até 80% em todas as capitais do país;

JUNHO
– Reunidos no presídio, Collor, Delcídio e Renan montam o Partido da Papuda (PPUDA), e participam de sessões do Senado por teleconferência;
– Inflação de 2016 rumando para 10%, querendo superar a de 2015;
– Inflação de 2017 rumando para 7%
– Tombini é demitido do BC; Nelson Barbosa assume seu cargo;
– PIB previsto de 2016: -4,5%;
– Peugeot e Citroen anunciam que vão deixar o país;

JULHO
– Inflação é pressionada pela CIDE e ruma para 11% em 2016; BC desiste da baixa e coloca SELIC novamente em alta, até os 14,5%, alegando necessidade momentânea e crise internacional;
– Belluzzo assume o Ministério da Fazenda e promete retomada imediata do crescimento;
– Dólar a 6 reais;
– Rumores do indiciamento de Sarney na Lava-jato;
– Dívida pública em disparada;

AGOSTO
– FIAT fecha metade de suas linhas de produção em caráter definitivo;
– 2 milhões de desempregados em 2016;
– Lula é preso no sábado, dia 13 de agosto;

SETEMBRO
– Inflação de 2017 rumando para 8%
– PIB previsto de 2016: -5%;
– Lula em depoimento, sobre Marisa: que loura baranga é essa aí?

OUTUBRO
– PIB previsto para 2017: -1%;
– Eleições: PT perde 80% das prefeituras do partido;
– Apartamentos são trocados por carros semi-novos em São Paulo;

NOVEMBRO
– Com o fim das eleições Dilma autoriza novo ciclo de alta leva SELIC a 15%
– Dólar retorna aos 5 reais;

DEZEMBRO
– 2,4 milhões de desempregados;
– PIB de 2016 fecha em -5%, inflação em 11,5%;
– Natal: o que é isso?

Concluindo: e aí, agora vai?

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